Sumário
Apesar das fortes tensões comerciais e das múltiplas camadas de risco, a Allianz Trade melhora a classificação de risco de 36 países e agrava apenas 14.
- De acordo com a Allianz Trade, o risco global dos países melhorou em 2025, com quase o dobro das classificações a serem revistas em alta face às revistas em baixa.
- No entanto, algumas economias-chave como França, Bélgica e os EUA, foram alvo de uma descida, sinalizando riscos persistentes e significativos a médio prazo para as empresas.
- Portugal mantém trajetória de crescimento acima da Zona Euro, sustentada pela procura interna e pelo impulso do PRR, apesar do agravamento do défice comercial
A Allianz Trade publica a terceira edição do seu Country Risk Atlas, uma publicação de referência que avalia as perspetivas económicas, os riscos e as oportunidades em 83 países, que representam cerca de 94% do PIB mundial. O estudo baseia-se num modelo próprio de classificação de risco, que é atualizado trimestralmente com os mais recentes desenvolvimentos económicos e dados próprios da Allianz Trade.
“As nossas classificações fornecem uma análise e insights abrangentes sobre o ambiente económico, político e empresarial, bem como sobre fatores de sustentabilidade que influenciam as tendências de risco de incumprimento para as empresas a nível macroeconómico. Cada classificação combina 17 indicadores de curto prazo e 18 de médio prazo, funcionando como uma bússola pragmática para decisores num mundo em múltiplas crises, ajudando-os a navegar pela volatilidade, proteger o fluxo de caixa e a transformar a consciência do risco numa vantagem competitiva”, explica Luca Moneta, Economista Sénior para Mercados Emergentes da Allianz Trade.
Economia portuguesa mantém dinâmica sólida, mas setor externo pressiona o equilíbrio
O desempenho da economia portuguesa manteve-se resiliente em 2025, com o PIB a crescer +1,9%, em linha com as expectativas e acima da média da Zona Euro. Este resultado surge na sequência de um sólido aumento de +2,1% registado em 2024. O crescimento foi impulsionado sobretudo pela procura interna, cujo contributo foi mais positivo do que no ano anterior, sustentado pela aceleração do consumo privado e do investimento. Em contrapartida, a procura externa líquida teve um impacto mais negativo no PIB, uma vez que as exportações de bens e serviços desaceleraram de forma mais acentuada do que as importações.
Os dados preliminares do comércio externo para 2025 apontam para aumentos tanto nas exportações como nas importações. As exportações cresceram +0,5%, abrandando face aos +2,0% de 2024, enquanto as importações ganharam dinamismo, avançando +3,9% após +2,0%. Como resultado, o défice da balança comercial agravou-se em 3,7 mil milhões de euros, atingindo 32,1 mil milhões de euros. Apesar desta deterioração, o desempenho comercial de Portugal manteve-se relativamente robusto num contexto de tensões persistentes no comércio mundial.
Perspetivando o futuro, a economia portuguesa deverá beneficiar dos fluxos finais do Next Generation EU (NGEU) ao longo de 2026–2027. O país prevê ainda receber cerca de um terço das subvenções atribuídas e quase 40% dos empréstimos, de um envelope total de 22 mil milhões de euros. Estes fundos deverão continuar a apoiar o investimento e a reforçar a dinâmica económica.