Portugal termina 2025 com uma descida de 4,4% nas insolvências. 

21 de janeiro de 2026

Portugal fechou o ano de 2025 com uma queda de 4,4% nas insolvências, face ao ano anterior, passando de 2.361 para 2.256 casos, de acordo com os dados da Allianz Trade, líder mundial em Seguro de Crédito. O decréscimo nas insolvências representa um sinal claro de robustez, disciplina financeira e maturidade empresarial.

A evolução das insolvências não foi linear ao longo do ano de 2025, reflexo da complexidade e da incerteza do ambiente económico à escala mundial, mas revelou consistência suficiente para consolidar um balanço favorável. Este comportamento traduz empresas mais conscientes do risco, mais criteriosas na tomada de decisões e com maior foco na eficiência operacional e na preservação de liquidez. As microempresas, que continuam a representar a maior fatia do tecido empresarial nacional, registaram uma redução relevante das insolvências, evidenciando uma maior capacidade de resistência num segmento tradicionalmente mais exposto a choques económicos”, afirma Nadine Accaoui, presidente do Conselho de Administração e presidente da Comissão Executiva da Allianz Trade em Portugal.

Do ponto de vista geográfico, a evolução das insolvências em 2025 evidencia um comportamento globalmente equilibrado nos principais polos empresariais do país. Distritos com maior concentração de empresas, como o Porto e Braga, registaram reduções face a 2024 (-3,0% e -7,9%, respetivamente), refletindo uma melhoria gradual da resiliência empresarial em regiões tradicionalmente mais expostas aos ciclos económicos. Lisboa, por sua vez, apresentou um aumento moderado (+4,3%), compatível com a sua maior diversidade económica e com uma exposição superior a atividades intensivas em serviços. No conjunto, o retrato geográfico aponta para um ajustamento diferenciado e contido, sem sinais de deterioração generalizada.

A leitura setorial confirma uma evolução diferenciada, mas globalmente controlada. O setor dos serviços registou uma variação ligeiramente positiva face ao ano anterior (+1,6%), refletindo também o seu peso estrutural na economia, enquanto a construção se destacou pela redução do número de insolvências (-2,0%), sugerindo o efeito de ajustamentos realizados nos últimos anos e maior seletividade na atividade. Em sentido inverso, setores como o têxtil e o retalho apresentaram correções mais expressivas (-29,1% e -5,6%, respetivamente), num movimento compatível com uma trajetória de normalização após períodos de maior pressão. No geral, a dinâmica setorial traduz um processo de reequilíbrio, mais do que um agravamento transversal da solvência empresarial.

No seu conjunto, 2025 transmite uma mensagem clara: a economia portuguesa soube adaptar-se, ajustar-se e ganhar solidez num ambiente global complexo. Sem ignorar os riscos que persistem em alguns setores e segmentos, a evolução das insolvências reflete um tecido empresarial mais consciente, mais disciplinado e melhor preparado para enfrentar ciclos económicos exigentes. É um retrato de maturidade e resiliência que merece destaque e reforça a confiança na capacidade das empresas portuguesas para continuarem a evoluir de forma sustentável”, remata Nadine Accaoui.

Insolvências podem aumentar até 2%

Os especialistas da Allianz Trade acreditam que a economia portuguesa vai manter-se robusta, devendo ter um desempenho globalmente positivo, sustentado por fundamentos económicos relativamente sólidos.

Neste sentido, a expectativa para as insolvências é que o país enfrente uma estabilização das insolvências, admitindo-se um crescimento moderado até cerca de 2%. Porém, a Allianz Trade admite que estas projeções estão condicionadas pela evolução das tensões geopolíticas e pela turbulência persistente no contexto internacional, fatores que podem ter um impacto significativo na confiança, no investimento e na atividade económica.