O mês de janeiro de 2026 registou 212 insolvências em Portugal, face a 206 no mesmo período de 2025, o que representa uma variação homóloga de +2.9%, de acordo com a Allianz Trade. Apesar de não se tratar de um arranque positivo do ano, a evolução mantém-se contida e alinhada com o enquadramento económico atual, sem indícios de aceleração do risco empresarial.
Este aumento moderado reflete a continuação de um processo de ajustamento gradual do tecido empresarial, num contexto ainda marcado por pressão sobre margens, custos operacionais elevados e uma maior exigência na gestão de liquidez. A leitura global aponta para um cenário de estabilidade relativa, sem desequilíbrios estruturais.
Microempresas aliviam, pressão desloca-se para PME
A análise por dimensão revela uma redução das insolvências em microempresas (-3,6%), segmento que continua a concentrar o maior volume de casos, mas que demonstra agora um sinal de ajustamento positivo. Em contrapartida, observa-se um aumento nas pequenas empresas e, de forma mais expressiva, nas médias empresas, ainda que estas representem um universo mais reduzido. Esta dinâmica sugere uma redistribuição do risco para estruturas intermédias, mais expostas a custos fixos, financiamento e necessidades de fundo de maneio. Empresas mais maduras continuam expostas Por antiguidade, verifica-se uma quebra nas insolvências de empresas até 2 anos (-40%), enquanto aumentam os casos nas empresas com 2 a 5 anos (+29,6%) e mantém níveis elevados nas empresas com mais de 10 anos (+2.7%), que representam mais de metade dos processos. O padrão é consistente com uma fase de maior exigência na consolidação das empresas mais jovens e com a vulnerabilidade acumulada em negócios de longa duração, num ciclo económico já em maturação.
Porto recua, Lisboa e Braga sobem de forma moderada
A nível regional, o comportamento mantém-se diferenciado. O Porto regista uma redução significativa de -21% nas insolvências, em contraste com Lisboa (+13,5%), Braga (+13,3%) e Aveiro (+26.7%), variações compatíveis com a maior densidade empresarial destas regiões. Em distritos como Setúbal (+88,9%) e Faro (+75%) observam-se aumentos relevantes, embora influenciados por efeitos de base. Globalmente, não se identificam alterações estruturais no mapa de risco nacional.
Serviços lideram aumento. Construção e retalho estabilizam
A leitura setorial mantém-se alinhada com a estrutura da economia portuguesa. O setor dos serviços concentra o maior número de insolvências e regista um aumento de +14% face ao período homólogo. No que respeita à restauração, uma das atividades integradas neste setor, este agravamento é explicado pelo impacto persistente dos custos operacionais, pela pressão salarial e pelo endividamento contraído no período pandémico. O setor têxtil apresenta igualmente um crescimento moderado (+7,4%), evidenciando a sua exposição ao contexto externo e à dinâmica da procura internacional. Em sentido inverso, tanto o setor da construção como o retalho registam uma redução de -6,9%, sinalizando uma fase de estabilização após períodos de maior pressão. Também o setor dos transportes (-14,3%) e a indústria automóvel (-33,3%) reforçam essa tendência de ajustamento, contribuindo para uma leitura global de maior equilíbrio setorial na evolução do risco empresarial.