09 de julho de 2026
Sumário
Leia o relatório completo
A economia global deverá abrandar em 2026, mas sem entrar em recessão.
A Allianz Trade prevê um crescimento global de 2,5% este ano, o ritmo mais baixo desde a crise da Covid-19, antes de uma recuperação para 2,9% em 2027.
A inteligência artificial está a funcionar como principal amortecedor da economia global
O relatório estima que a IA explique cerca de um terço do crescimento dos EUA e sustente uma parte relevante das exportações asiáticas, sobretudo através da procura por semicondutores, servidores e data centers.
A Zona Euro continua a apresentar um crescimento frágil
Excluindo a Irlanda, a economia da região deverá crescer apenas 0,9% em 2026, recuperando para 1,2% em 2027. A maior dependência energética, a menor exposição ao ciclo da IA e a debilidade da indústria alemã continuam a penalizar a região.
Portugal mantém crescimento positivo, mas em desaceleração
Depois de crescer 2,2% em 2024 e 1,9% em 2025, o PIB português deverá avançar 1,5% em 2026 e 1,4% em 2027. O crescimento trimestral em Portugal deverá ser limitado ao longo de 2026. A previsão aponta para uma evolução de 0,1% no segundo trimestre, 0,2% no terceiro trimestre e 0,4% no quarto trimestre, refletindo uma recuperação gradual, mas ainda moderada.
A inflação em Portugal deverá subir temporariamente em 2026. O índice de preços no consumidor deverá passar de 2,3% em 2025 para 2,6% em 2026, antes de recuar para 2,0% em 2027, sugerindo que a normalização dos preços será progressiva.
O choque energético deverá ser mais contido do que em 2022
Apesar da volatilidade provocada pelo conflito no Médio Oriente, a Allianz Trade antecipa que os preços do petróleo e do gás estabilizem gradualmente, evitando uma repetição da escalada inflacionista observada após a invasão da Ucrânia.
As previsões de crescimento do volume de negócios foram revistas em baixa em 12 de 16 setores analisados. Os setores farmacêuticos, utilities, automóvel, construção e químicos surgem entre os mais penalizados, enquanto eletrónica, tecnologias de informação e bens alimentares beneficiam de maior resiliência
As insolvências globais deverão continuar a aumentar
A Allianz Trade prevê uma subida de 4% em 2026, antes de uma estabilização em 2027, o que representa cinco anos consecutivos de crescimento das insolvências a nível mundial. Em Portugal, as insolvências deverão estabilizar, mas sem melhoria estrutural. O número médio anual deverá manter-se em torno de 2.300 insolvências em 2025 e 2026, subindo ligeiramente para 2.400 em 2027, regressando ao nível de 2024.
O comércio global deverá evitar uma recessão, mas continuará sob pressão. O comércio de bens em volume deverá crescer 2,9% em 2026 e 2,4% em 2027, apesar da reorganização das cadeias de abastecimento, do impacto do Estreito de Ormuz e da reativação da guerra comercial dos EUA.
Os mercados financeiros continuam otimistas, mas com pouca margem para deceções. As bolsas recuperaram das perdas associadas ao conflito no Médio Oriente e continuam apoiadas pela narrativa da IA, embora as avaliações elevadas aumentem o risco de correções caso as expectativas não se confirmem